A transformação digital introduz exigências estruturais ao mercado de trabalho, com impacto direto na formação em marketing. Este estudo publicado na Lecture Notes in Networks and Systems (Springer) analisa o papel da literacia digital nos currículos académicos e a sua relação com a preparação dos estudantes para contextos profissionais digitais.
A investigação, baseada em focus group com estudantes finalistas de marketing, identifica um desalinhamento entre a formação académica e as necessidades das empresas. Os participantes reconhecem a relevância das competências digitais, mas referem limitações na aplicação prática e na utilização de ferramentas atualizadas.
Os resultados evidenciam que a integração de competências digitais nos programas de ensino constitui um requisito para a empregabilidade. No entanto, a componente teórica não assegura, por si só, a preparação para o mercado. A experiência prática, através de projetos e estágios, surge como elemento central no desenvolvimento de competências aplicadas.
A colaboração entre instituições de ensino e organizações empresariais assume, neste contexto, um papel determinante. Parcerias estruturadas permitem alinhar conteúdos curriculares com exigências reais, facilitando a transição dos estudantes para o mercado de trabalho e contribuindo para processos de transformação digital nas empresas.
O estudo identifica ainda desafios relevantes, como o acesso limitado a tecnologias atuais e a existência de unidades curriculares com conteúdos desfasados. Em paralelo, aponta oportunidades associadas à integração de áreas como inteligência artificial, análise de dados e automação de marketing, que reforçam a capacidade de resposta das organizações.
Entre as recomendações, destaca-se a necessidade de revisão contínua dos currículos, a integração de ferramentas digitais atualizadas e o reforço de iniciativas conjuntas entre academia e empresas. Estas medidas permitem reduzir o desfasamento identificado e promover uma formação alinhada com o contexto digital.
A literacia digital emerge, assim, como um elemento estruturante na relação entre ensino e mercado, com impacto direto na qualificação dos futuros profissionais e na capacidade de adaptação das organizações.
O artigo pode ser consultado aqui e encontra-se na página 53 do livro Perspectives and Trends in Education and Technology. Volume 1.






